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A História dos Quadrinhos (GIBIS)
TEXTO DE GERALDO GALVÃO  FERRAZ

Um dos maiores problemas que as histórias em quadrinhos (gibi) apresentam para os especialistas é o da sua origem. Há quem a situe no século XIX, no fim do século XVIII ou até nas histórias figurativas do Livro dos Mortos egípcio, de 3000 anos antes de Cristo.

Mas a tendência atual é situar o nascimento das Histórias em quadrinhos em 1827, quase clandestinamente, na Suíça, onde o professor Rudolph Töpffer fazia circular um álbum chamado "Os amores do Sr. Vieux Bois". A obra de Töpffer já reunia as características das Histórias em quadrinhos modernas: texto integrado à imagem, variações de ângulos e enquadramentos, montagem.

Uma das histórias em quadrinhos (gibi) mais antiga é "Os sobrinhos do capitão", criada e desenhada por Rudolph Dirks desde 1897 até sua morte, em 1968. Antes dele, o alemão Wilhelm Busch, outro precursor, lançou "Juca e Chico", em 1865.
Só em 1896 é que os gibis conquistam os Estados Unidos. A façanha é de R. Outcault (1863-1928), que cria o "Yellow Kíd" (Menino Amarelo), já dentro de um esquema que evitava o domínio do livro, principal obstáculo à rápida difusão das Histórias em Quadrinhos na Europa.

A grande divulgação do gibi nos Estados Unidos fez a nova forma de expressão progredir rapidamente, e, já em 1905, havia um grande nome nos gibis americanos: o de Winsor McCay (1879-1934), criador de "Little Nemo in Slumberland".
Cada domingo o pequeno Nemo tinha um sonho estranho e vivia aventuras fabulosas no País do Sono. McCay cercava-o de uma imagem delirante, hoje considerada precursora da arte surrealista.

Até os anos 30, os gibis já estavam enraizados como parte da vida americana, e, como reflexo disso, as histórias de grande sucesso multiplicavam-se: "Krazy Kat", "Pafúncio e Marocas", "O Gato Félix". Com os Estados Unidos traumatizados pela Depressão, iniciada no colapso da estrutura financeira da nação em outubro de 1929, os gibis iriam ter outra função: a de válvula de escape para o povo de uma nação em crise.

"Tarzan", "Buck Rogers" e "Popeye" são lidos avidamente, desde seus começos. "Tarzan" usa o personagem criado por Edgar Rice Burroughs, numa concepção revolucionária de Hal Foster, nascido em 1892.

"Buck Rogers" deslocou o gibi para o século XXV, sendo uma consequência do sucesso das revistas de contos de ficção científica da época. Um autor desses contos foi convocado para o texto de "Buck Rogers", Philip Nowlan. O desenhista era Dick Calkins.

O público voltou ao presente meio a tiros de metralhadora e pneus cantando em fugas de gangsters. E nasceu "Dick Tracy". Seu criador foi Chester Gould, de traço duro e personagens cheios de tiques caricaturais.

Dirigido a um outro tipo de público, o humor do gibi encontra um grande personagem no rato Mickey Mouse, de Walt Disney (1901-1966), criado em 1928.

1934 foi um ano excelente para os gibis. Foi marcado pelo surgimento de alguns dos maiores clássicos dos gibis: "Flash Gordon", de Alex Raymond; "Jim das Selvas", ainda de Raymond; "Mandrake", de Lee Falk e Phil Davis; "O agente secreto X-9", de Raymond e Dashiell Hamett; "Terry e os piratas", de Milton Caniff. Ainda do mesmo ano: "Brucutu", de V. T. Hamlin; "O Reizinho", de Otto Soglow.

Não é só pelas três histórias que Alex Raymond é o mais importante de todos. Ele se situa como um marco divisório na história das Histórias em quadrinhos. Nascido em 1909, Raymond foi o grande artista clássico dos gibis. Seu desenho sempre tem uma combinação ideal de força e elegância, especialmente em "Flash Gordon".

"Mandrake" apresentou uma novidade: a valorização de um roteirista como autor. Lee Falk nascido em 1912 escreveu as histórias do mágico hipnotizador, sempre acompanhado pelo gigantesco Lothar. O primeiro desenhista de "Mandrake" foi Phil Davis.

"Ferdinando", de Al Capp, nasceu em 1936, numa paródia dos caipiras americanos que fazia a pequena Brejo Seco (Dogpatch) ser um retrato dos Estados Unidos, com a participação de personagens reais nas histórias.

Lee Falk lançou outro herói em 1936, que teima em resistir ao tempo: "O Fantasma". Hal Foster voltaria em 1937 com "O Príncipe Valente", de tema medieval, situado na corte do Rei Artur.

Foster deixou "Tarzan" e foi substituído por Burne Hogarth, nascido em 1911. Chamado de "o Michelangelo dos quadrinhos", Hogarth especializou-se em composições anatômicas do herói, em meio a uma selva contorcida, cheia de lianas e outros perigos, como os animais, desenhados com grande força.

Estava tudo pronto para o nascimento do primeiro super-herói dos gibis. Em 1938, após serem recusados por inúmeros editores, os primeiros capítulos de "Super-Homem" apareceram na revista "Action Comics". Bastaram quatro números da publicação para o sucesso do novo personagem. Seus autores foram o roteirista Jerry Siegel e o desenhista Joe Shuster, Nas pegadas do êxito do "Super-Homem", veio "Batman", criado pelo desenhista Bob Kane ern 1939.

Com a entrada dos Estados Unidos na lI Guerra Mundial, os heróis dos gibis transformaram-se em instrumentos da propaganda do esforço de guerra. Flash Gordon, Terry, Batman, Super-Homem, Tarzan, Dick Tracy enfrentam as forças do Eixo, Aparecem novos heróis, como Capitão América (1941), o Tocha Humana e O Príncipe Submarino.

A década de 50 vê surgirem várias das tendências que continuam até hoje. Há o nascimento dos "Peanuts" (Minduim) de Charles M. Schulz, com seu humor refinado e intelectual, que se reflete em "Mafalda", do argentino Quino; os gibis de terror ganha uma nova dimensão.

O surgimento de "Barbarella", de Jean-Claude Forest, em 1962, é um sintoma de que os adultos consomem cada vez mais gibis. O sexo e o erotismo ocupam a temática das Histórias em Quadrinhos, através de uma série de histórias: "Valentina", de Guido Crepax; "Jodelle", de Guy Pellaert; "Little Annie Fanny", de Kurtzman e Elder.

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Mickey Criação de Walt Disney em 1928



Os gibis tornam-se a expressão ideal, junto com os "grafitti" (inscrições em paredes), do inconformismo da juventude* As Histórias em quadrinhos subterrâneas (ou "underground") mostraram um espírito de vanguarda e crítica à sociedade, através de publicações fora do sistema tradicional de venda e distribuição. Seus nomes mais importantes: Robert Crumb, Gilbert Sheldon e Clay Wilson.

Revolução Marvel nos Anos 60

No começo dos anos 60, nos EUA; a Marvel, antiga Atlas, estava por fechar, e testou as ideias editoriais de Stan Lee. Todos os personagens da fase de implantação da Marvel foram criados e/ou desenvolvidos por Jack Kirby e Stan Lee, este foi trabalho fundador da corrente majoritária nos gibis americanos de grande mercado contemporâneo.

A explosão criativa dos gibis da Marvel nessa época e sua resposta de público foram fenomenais. Em 1961 suas estréias impressionaram, e foi rápido o estabelecimento subseqüente do que conhecemos como Universo Marvel, a partir das primeiras aparições de alguns personagens nos gibis de outros, em 1963. Stan Lee e Jack Kirby tornaram os super heróis muito mais complexos e bem realizados do que haviam sido nos últimos anos pois eles eram escritos e muitas vezes desenhados sem um real interesse no rendimento e desenvolvimento das premissas de fabulação envolvidas, por concorrentes como a DC Comics, então dominando o mercado de gibis com super-heróis domesticados demais, como eram Batman e Superman nessa época.


De Chiquinho a Mônica

No Brasil, os gibis têm seu início definido com a revista "O Tico Tico", lançada a 11 de outubro de 1905. O herói mais famoso da publicação era o Chiquinho, uma adaptação brasileira do Buster Brown de Richard Outcault.

A maioria dos heróis era imitada do estrangeiro, mas os de grande sucesso eram figuras bem nossas, como o Kaximbown de Max Yantok, as melindrosas de J. Carlos e as criações de A. Storni: Zé Macaco, Faustina e Baratinha.

Mas o grande acontecimento, desde a primeira História em Quadrinhos produzida no Brasil, em 1897, por Angelo Agostini ("As aventuras de Zé Caipora"), foi o surgimento do Suplemento Juvenil, em 1934, editado por Adolfo Aizen, como apêndice do jornal "A Nação". Ele revelou aos leitores brasileiros Flash Gordon, Príncipe Valente, Mandrake, Tarzan. Sua tiragem chegou aos 360.000 exemplares semanais.

Depois do Suplemento Juvenil houve alguns gibis de importância, como "O Globo Juvenil", "Gibi", "O Guri", "A Gazeta Juvenil", quase sempre editando material estrangeiro e algumas tentativas tímidas de autores brasileiros.

Eles tiveram sua vez na década de 50, quando a editora Brasil América (EBAL) de Adolfo Aizen publicou na forma de gibis vários textos quadrinizados da literatura nacional. Em 1950, a Editora Abril iniciou a publicação em português dos gibis com as histórias de Walt Disney, com "O Pato Donald". Com a evolução natural dos quadrinhos e seu estudo no Brasil, chegamos a ter um autor de nível internacional, Maurício de Souza, cujas histórias, especialmente "Mônica". Maurício de Souza recebeu em 1971 o prêmio Yelow Kid, uma espécie de prémio Oscar dos quadrinhos.


 Lee Falk e seu Fantasma (ano 1936)  Outra criação de Falk: Mandrake  Os Sobrinhos do Capitão (1912) Pererê, uma criação de Ziraldo